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MOVE.TE: Prevenção de Quedas na População Idosa

Programas estruturados de prevenção de quedas, como o MOVE.TE, ajudam a promover autonomia, segurança e envelhecimento ativo.

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O envelhecimento populacional é uma das transformações demográficas mais marcantes das últimas décadas. Em Portugal, à semelhança de muitos países europeus, a proporção de pessoas com mais de 65 anos tem vindo a aumentar de forma consistente, representando 24% da sua população, trazendo novos desafios para os sistemas de saúde, nomeadamente ao nível da prevenção da incapacidade e promoção da autonomia.

Entre esses desafios, as quedas assumem particular relevância, sendo um dos principais problemas de saúde pública na população idosa.

As quedas não são eventos aleatórios. Pelo contrário, são frequentemente o resultado de uma combinação de fatores de risco intrínsecos, relacionados com o indivíduo, e extrínsecos, relacionados com o ambiente.

Neste contexto, programas estruturados de prevenção de quedas, como o MOVE.TE, emergem como estratégias fundamentais para reduzir o risco de queda e promover um envelhecimento ativo e saudável.

## A Dimensão do Problema das Quedas em Idosos

As quedas representam uma das principais causas de lesão e incapacidade na população idosa. Segundo a WHO (2019), uma queda é um acontecimento involuntário e multifatorial.

Globalmente, estima-se que cerca de 27,5% dos indivíduos com mais de 65 anos sofram pelo menos uma queda por ano (Salari et al., 2022).

Para além da elevada prevalência, o impacto das quedas é profundo. Estas são responsáveis por fraturas, traumatismos cranianos, declínio funcional, perda de autonomia e institucionalização precoce.

## Fatores de risco associados às quedas

As quedas resultam, na maioria dos casos, da interação de múltiplos fatores. Estes podem ser divididos em fatores intrínsecos e fatores extrínsecos.

Os fatores intrínsecos incluem diminuição da força muscular, alterações do equilíbrio, défices visuais e auditivos, doenças crónicas, alterações da marcha e uso de medicação.

Os fatores extrínsecos incluem tapetes soltos, iluminação inadequada, pisos escorregadios, obstáculos no domicílio e calçado inadequado.

## O papel da fisioterapia na prevenção de quedas

A fisioterapia assume um papel central na prevenção de quedas, através da avaliação do risco, prescrição de exercício terapêutico, educação e promoção da autonomia.

O exercício é a intervenção com maior evidência científica na prevenção de quedas. Programas bem estruturados incluem treino de equilíbrio, fortalecimento muscular, treino funcional e exercícios de coordenação.

A evidência demonstra que programas de exercício podem reduzir o risco de quedas entre 30% e 50%.

## O programa MOVE.TE

O programa MOVE.TE surge como uma resposta estruturada e baseada em evidência para a prevenção de quedas em idosos.

Trata-se de um programa de exercício supervisionado, com foco no equilíbrio, força e mobilidade, sessões regulares, educação para a saúde e acompanhamento por fisioterapeutas.

É especialmente indicado para pessoas com mais de 60 anos, indivíduos com histórico de quedas, pessoas com medo de cair e idosos com alterações de equilíbrio.

## Benefícios do programa MOVE.TE

A implementação de programas como o MOVE.TE pode contribuir para a redução do risco de quedas, melhoria da funcionalidade, aumento da confiança, maior participação social e melhoria da qualidade de vida.

## Conclusão

As quedas em idosos representam um problema complexo, com impacto significativo na saúde, autonomia e qualidade de vida. No entanto, são largamente preveníveis através de intervenções baseadas em evidência.

Investir na prevenção é investir na qualidade de vida. O movimento é, de facto, a chave — e o MOVE.TE traduz essa filosofia em ação.

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